terça-feira, 28 de julho de 2009

Lugar inventado


todo futuro previsto
eu vou logo revestindo de sucesso
e confeito em camadas de açúcar
depois envolvo de facilidades
embrulho em folhas de fortuna
para no final de tudo isso
guardá-lo no armário frio
junto ao mofo das ilusões

Sandoval Fagundes, João Pessoa- terça feira, 28 de julho de 2009
22:48

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lugar poético

sou aquele que vive ou canta o fazer
do encanto da ação do sentimento
num canto mais além do que se pensa

Sandoval Fagundes - segunda-feira, 27 de julho de 2009
05:20:04

Lugar tambores

atables que embatem amores
atabaque nas mãos carinhosas
baque afoito do toque
na pele que acorda

batuques que protegem os espíritos
ogãs do io ou do jeje tomados
batucada enlevada no bamba
na pele que soa

bombos que batem rogos
pandeiros e surdos secretos
samba descalço no morro
na pele que dança

alfaias que abarcam a vida
cirandeiros e tantãs arredios
pancada, repique no mundo
na pele que acirra

Sandoval Fagundes, João Pessoa - segunda-feira, 27 de julho de 2009
00:09:15

sábado, 25 de julho de 2009

Lugar presente

quando desejares
a poesia estará presente
forte seja o teu desejo
de novidade recente
vontade de estar feliz
nas utopias inocentes
seja presente a matriz
e filial o que sentes

Sandoval Fagundes, sexta-feira, 24 de julho de 2009
23:52:55

Lugar reflexo

parece que ela sempre se olha pelo avesso inútil
e insiste em mergulhar nas imagens laminadas
por não compreender seus desdobramentos
prefere duplicar-se em tais confrontos
nunca aceitará os olhos invertidos
se é mentira da beleza copiada
querer procurar o corpo
quando sua alma
acordar só
diante
si

Sandoval Fagundes, sexta-feira, 24 de julho de 2009
23:24:55

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lugar posse

contradição
é tão amarga
sem explicação
eu trago para mim

compota doce
é tão larga
nem que já fosse
um trago já no fim

Sandoval Fagundes, sexta-feira, 24 de julho de 2009
13:43:32

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Lugar ladrilho

o sonho que a mão esconde
é o pássaro que se mostra
no rosto espelhado do chão
que nada consegue esconder
quando voamos multiplicados

Sandoval Fagundes, João Pessoa, segunda-feira, 13 de abril de 200911:57:46

Lugar gratuito

o amor nada vale
o imaterial é sem preço
igual à graça de quem amo
valor que não esqueço

Sandoval Fagundes, João Pessoa, terça-feira, 30 de junho de 2009
11:59:49

Lugar desafio

dá-me um só fiapo de curiosidade
e mergulharei nesses olhos enormes
pois, só fiando teu mundo gigante
poderei beber dessa felicidade
que mora na tua filosofia

Sandoval Fagundes, João Pessoaquarta-feira, 6 de maio de 2009
05:15:58

Lugar náutico

enquanto a noite
o farol guia tuas naus
durante o dia
o sol queima os teus nãos

Sandoval Fagundes, João Pessoasegunda-feira, 27 de abril de 2009
02:14:12

Lugar mão

ferramenta do pensamento humano
que grita forte sobre a matéria
na utopia de tenta tocar o espírito
compreender seus impulsos
para remodelar sua forma
e simplificá-la
para que todos sejam olhos
degustem seus próprios sentimentos
percebam-se vivos diante dos artifícios
das ferramentas comuns da vida


Sandoval Fagundes, João Pessoa, PB - quinta-feira, 5 de março de 2009

domingo, 19 de julho de 2009

Lugar atlético

as mãos cravadas no teclado
e a habilidade inquieta das palavras
bailando piruetas no teu espírito


Sandoval Fagundes, João Pessoa - domingo, 17 de agosto de 200810:16:19

Lugar errado

no transitório do espaço
na curva desses limites
o que nunca se acaba
das tuas mudanças

na trajetória da luz
no som das poucas palavras
o que não permanece
das tuas verdades

na dificuldade de encontrar
à luz do teu espelho ambíguo
o que transparece
das tuas imperfeições

na mudança sem concórdia
nos retratos sem propósito
o que fica construído
dos teus equívocos

Sandoval Fagundes, João Pessoa - sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Lugar procurado

a busca do poeta é estranha e indócil
não quer apenas mostrar o conteúdo das orações
não espera dar sentido mágico as palavras
não quer facilitar o trânsito do refino nos verbos
a busca do poeta é entranha e sem nervura
quer descobrir as verdades impostas sob as fibras do papel
quer diluir as mágoas escondidas entre as serifas das letras
quer plantar alegrias e sonhos no solo árido do alfabeto

Sandoval Fagundes, João pessoa - sábado, 9 de agosto de 2008

Lugar calendário

na mão do tempo há um revólver
um tiro certeiro para cada dia
decompondo o tempo em segundos
com suas cápsulas imortais
sem a menor precisão

Sandoval Fagundes, João Pessoa, terça-feira, 19 de agosto de 2008
18:16:41

Lugar interno

engana-se quem pensa na alma
apenas como pensamento
ou espaço cravado no corpo
se na vida há esse estado imenso
na alma da vida somos todos vendavais
existe alma em todo sopro do tempo
fora de controle e rodopiando no mundo
sem dar satisfação do que percebes
mesmo que nem queiras saber
para que lado segue o teu pensamento

Sandoval Fagundes, sábado, João Pessoa. 7 de junho de 20083:44:57

Lugar vida

quero
correr a vida
e ha sempre um risco
no ato de morrer de amor
quando se quer a liberdade
se somos apenas o traço
da linha que optamos
do ser apenas só
quando nada
somos
e se
é
para
ser só
sem ter
e sem ser
propriedade
e nem querer
nada de ninguém
quase nunca prometer
talvez nem a pele da alma
vou correr o risco de voltar para casa
e quantas vezes povoar o templo de absurdos
com portas abertas ao nada e o mundo ao meu dispor

Sandoval Fagundes, João Pessoa - domingo, 19 de julho de 2009
16:22:11

Lugar samba

viver é como a vida do samba
as pernas bambas de querer
se o samba nunca está mudo
se a dança é o desejo de crescer
a poesia da vida está em tudo
e um samba acaba de nascer


Sandoval Fagundes, João Pessoa, 18 de novembro de 2006

Lugar profundo

desejo que seja de todos
o desejo convicto de enfrentar-se

desejo que seja querer comum
encarar as difíceis conquistas
do nosso "mar-adentro".

quero que seja desejo maior
o ato de inflar nosso ser de coragem
para descer às profundezas
dos nossos sentimentos oceânicos
despidos desses nossos medos
escafandrísticamente.

desejo que seja nosso horizonte
ser a um só tempo mar e água,
intenso e contido, amplamente.

seja esse desejo mergulhador
o navegador dos espelhos
da nossa própria alma.

Sandoval Fagundes, João Pessoa – 10 de agosto de 2006

Lugar onírico

conforme a dor
ela dorme ali
com o vento
ainda sopra o alento


com fome e dor
ela sonha ali
com um sentimento
findo dobra o intento



Sandoval Fagundes, 10 de abril de 1997

Lugar escala



dói fazer-te sol
se todo guapo
tão cheio de amanhãs
qual poesia te concebe?



refaça-o amanhã
infante acordar tardio
céu azul pintado
existe poesia tão leve?

mi

diga-me quem chora
se há Remédio na lua
grite que não minguarás
e a poesia te bebe?

sol

o sol de lá será talvez
quando a nova lua te esconde
se toda cheia e tão clara de nua
a poesia te descreve?



de onde a luz seja fase do tempo
e seu ponto doce a parte vista
receita-me lua o que aprendes com do sol
a poesia te recebe?

si

saber-se luz de estado imperativo
dependente e pequeno satélite
seu brilho branco não permite o talvez
a poesia te verve?



Sandoval Fagundes, João Pessoa - 30 de março de 1997

Lugar violado

violas nos hinos dos arrepios
ar comprimido entre dentes
entre tantos desejos

violas teus finos fios
doces gestos premidos recentes
olhar cortante de arfejos

violas entre tantos desafios
aqueles repletos de encantos
naus vagantes de arpejos

Sandoval Fagundes – João Pessoa - 07 de junho de 1997

Lugar ateu

é fácil tonta vida
tantos problemas juntos
nada a significar

é vida tanta dor
dimensionando problemas
com a facilidade de um deus

são quantas vidas fáceis
quem sabe tanto não sou
não és, não somos
ao criador, nada a declarar

Sandoval Fagundes, 21 de janeiro de 1997
04:08:57

Lugar agora

estou diante do mar
motores ligados em mim
piso frouxo
de pó
parado

estou ciente do mar
fina poeira movediça
sigo as danças
do seu interno
pulsante

reclamo a calma do mar
perdido em suas ruas invisíveis
seus alívios
de movimento
acordado

amante assíduo do mar
percebo o agito nas calmarias
estou submerso
em suas ondas
vivendo


Sandoval Fagundes, João Pessoa - 04 de abril de 1997

Lugar pele

suspensa nuvem
brasa na pele
carmim repouso
pele iluminada
surpresa flutuante
doce mármore
em deleite
nudez da respiração
verdade implícita
poros abertos
nave onírica
luz curiosa


Sandoval Fagundes, João Pessoa – 06 de abril de 2006

Lugar furtado

ali em frente ao alice vinagre
arquétipo da imagem de alguém
a moça do cabelo curtinho
elegante saudade das nossas luas

ali bem diferente do chafurdice milagre
passou o tempo feliz como ninguém
a moça do roxo cabelinho
tocante tocada pelas nossas luas


Sandoval Fagundes, João Pessoa – 24 de abril de 2008

Lugar menta

minha cabeça
há dias
anda nua
impertinente
querendo desvendar
o teu fabulário

minha voz
há semanas
melindra rouca
fria e dolente
solfejando fados
do teu repertório

meus olhos
há meses
vela um rio
inflame presente
luzeirando
a tua via láctea

minha boca
há anos
sobrevoa lenta
imaginária e paciente
degelando o sabor
da tua veste-menta

Sandoval Fagundes, João Pessoa - 12 de maio de 1997

sábado, 18 de julho de 2009

Lugar vão

não me apego a tuas dores
não dissolvo a tua calma
não afago a tua fama
não resolvo a tua alma
não me deito em tua cama
não mergulho em teus delírios
não me orgulho com teu drama
não me ofusco com teus brilhos
não aceito tuas lágrimas
não encubro tua glória
não resolvo teus problemas
não transformo tua história
não me envolvo em teus dilemas
não desdobro os teus poderes
não removo teus remorsos
não recordo teus quereres
não rejeito os teus carinhos
não nego a tua ação
não sossego no teu ninho
não abro meu coração

Sandoval Fagundes, João Pessoa - sábado, 18 de julho de 2009
01:07:19

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Lugar varanda



rio das varandas

é
sou
e somos
história que se faz
a cidade já não imagina
é do alto que a vida escorre livre
das varandas de lembranças abertas
daquele fotógrafo atento que se ilumina
imaginando captar tantas dores no tempo
talvez conversar com tantos fantasmas
ou escutar os segredos campanários
dos sons da chuva nos telhados
mágoas dos casarios tortos
os sinais do manguezal
ferido de mistérios
relógio líquido
Sanhauá
ainda
rio
é

Sandoval Fagundes, João Pessoa - sexta-feira, 17 de julho de 2009
12:48

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lugar lavado

para cada história dos aguaceiros
os pingos mágicos sobre a sorte
dúvidas, descobertas
e risos

na parte física das enxurradas
as poças espalhadas no chão
quedas, alertas
e lágrimas

há filosofia nas torrentes
os lagos refletidos na alma
pensamentos, esperanças
e amores




Sandoval Fagundes, João Pessoa
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
10:01:54