sábado, 3 de setembro de 2011

Combustível




eu
letargo
na queima
da cor suave.
ela os tangia rubra
amável e inflame na alegria
seu ato crepúsculo de fios rubros
revolta ventania na cabeleira em chamas
fundiam os ardores astrofísicos da solidão pura
a soma de todos os saltos quânticos dos sons pesados
vibrando a dor dos motores e carinhos absolutamente flutuantes.

Sandoval Fagundes, João Pessoa - sábado, 3 de setembro de 2011
15:20:19

Vento

sibila
incendeia
a mata virgem
rege sinfonia atlante
ateia suavemente a flor
acarinha a folha que balança
propaga os sussurros dos apegos
espalha um cheiro intenso de jasmim
balança o bambuzal percutindo seu caule
assovia
encantando
as brenhas cerradas
orquestra os sons dos arbustos
afaga tuas folhagens com sopros firmes
abraça o tempo de sentir os aromas verdes
movimenta os feixes de bambus performáticos
cintila
arrebata
raízes aromáticas
satisfaz tua harmonia
levita o anseio da floresta
estremece o solo estável da flor
dissolve o mel do tempo no silencio


Sandoval Fagundes, João Pessoa - quinta-feira, 1 de setembro de 2011
09:21:07



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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aplique na fotografia

A ti percebo faceira passagem
já suturado na tua renda
hoje vivo da tua chita
e respiro teu filó

De ti recebo exultante paisagem
ansia de engolir tua alvorada
fatias de lua na luz tecida
completo sol é teu filó

Sandoval Fagundes, João Pessoa - domingo, 2 de janeiro de 2011

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A peleja do hoje com o agora

Como estás?
muito trabalho imagino eu
hoje é a cantilena do povo
não vejo mais ninguém se encontrando
para trocar idéias
para se divertir...
...cantar, fazer poesia
dançar...
(estamos ficando velhos, amargurados,
sem tempo para o outro)
...nem que seja para falar das infelicidades
ou de como estar feliz sem o outro...

êta modernidade arretada!

Estou bem!
Eu já nem sei o que faço
o agora é apenas o possível da humanidade
todos se encontram na dúvida
para trocar energias
para se recompletar...
...cantar, fazer poesia
dançar...
(já nascemos velhos, endividados
com o futuro do outro)
...vem! Inteira, para questionar nossas dependências
ou de como aprender a ser feliz sem fazer sofrer o outro...

êta humanidade arretada!



Maria Augusta e Sandoval Fagundes

Destino quadrilátero

da pedra atirada
joguei-me no círculo
das idéias
proferida a palavra
abandonei-me ao quadrado
dos limites
perdida a ocasião
abdiquei-me do triângulo
das evidências
depois do tempo já passado
resignei-me aos pontos
de interrogação

Sandoval Fagundes, João Pessoa - quinta-feira, 15 de abril de 2010
00:02:45

terça-feira, 30 de março de 2010

geometria

mania de compasso é arremessar
o espírito giratório no Japão
com a perna fixa no sertão

costume de esquadros é em par
de quarenta e cinco dobrado
ao trinta por sessenta casado

loucura de régua é saltar
de ponto e ponto na reta
a linha infinita e deserta

Sandoval Fagundes, João Pessoa- terça-feira, 30 de março de 2010
07:49:46

quinta-feira, 25 de março de 2010

astronauta

eu
poeta
curioso
navegando
na pele do teu céu
onde só uma estrela havia
antes do episódio que te constelou



Sandoval Fagundes, João Pessoa - quarta-feira, 24 de março de 2010
16:23:08

dilúvio

me falaram que eu escrevo como rocha
mas na lava quente não se deve tocar
então prefiro escrever como água
liquidificando o pensamento
na fonte das palavras

Sandoval Fagundes, João Pessoa - quinta-feira, 25 de março de 2010
00:13:54

quarta-feira, 24 de março de 2010

marcianita

eu quero o fogo de marte na lua
o astral do leão no paraíso
a proteção de Samuel
o pó de mostarda
as essências
os sândalos
a ametista
o gerânio
o hortelã
o chá
eu quero o olho-de-cabra na violeta
o cardo no ferro e nos arbustos
o amparo de São Jorge
a pimenta vermelha
a ovelha de Áries
nos domingos
o diamante
nas terças
o talismã
o cristal

Sandoval Fagundes, João Pessoa - quarta-feira, 24 de março de 2010
07:52:22

terça-feira, 23 de março de 2010

vulcão

me falaram que eu escrevo como água
mas a verdade não se pode dissolver
então prefiro escrever como fogo
na intenção de que a alma
solidifique o pensamento
nas lavas das palavras

Sandoval Fagundes, João Pessoa - segunda-feira, 22 de março de 2010
22:43:48

sono histórico

ontem eu vi Karl Marx
tomando um taxi
com a liga dos justos
para ir ao funeral
do último shopping center
unidos a esse espaço onírico
proletários de todos os países
aplaudiam mais que felizes
o fim do capital

Sandoval Fagundes, João Pessoa - sábado, 20 de março de 2010
09:27:11

Pura amizade

amo
a minha
magrelinha
alma luminosa
o sorriso alvinho
teus olhos espertos
o cheiro doce de ninho
a pele veludo bem branquinha
sabor e beleza quem quer adivinha

Sandoval Fagundes, João Pessoa - sexta-feira, 19 de março de 2010
00:44:20

Tolerância

não fui vencido
nasci folha em branco
onde escrevi o que hoje sou
não tenho e não me sinto escravo
Locke e eu somos iguais
não posso fazer-lhe mal
nem ele a mim

Sandoval Fagundes, João Pessoa - sexta-feira, 19 de março de 2010
11:23:08

Lembrete

Muito
antes do
bem coletivo
Rousseau e eu
nascemos livres
mas força é um fato
em estado de natureza
poderíamos falar com Deus
diretamente em nossos corações
mas o direito enquanto conceito moral
só nos permite falar com Deus em contrato social

Sandoval Fagundes,João Pessoa - sexta-feira, 19 de março de 2010
05:23:06

autoridade

aparentemente todos temos direito a tudo
mas quando as coisas são escassas
alguns fortes outros inteligentes
e nenhum valor suficiente
contra o medo do outro
nas mãos do Leviatã
Hobbes suplica
sua rendição


Sandoval Fagundes, João Pessoa - sexta-feira, 19 de março de 2010
12:09:41