segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Lugar nômade

Um artista vem
e trabalha a pedra fria
doa-lhe a alma
e faz dela seu mundo estático

Quando sopra-lhe a face
a estrada é a parte sem destino
mesmo que seja certa a construção
reservam-se as promessas de ida

O artista vai
e trabalha a pedra viva na volta
se for real todo esse trânsito sem rumo
servirá de suporte para a liberdade

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Lugar mar



visão de mar
cor esverdeada
amor sempre, sol
poesia, jade

missão do amor
dor ensolarada

domingo, 21 de setembro de 2008

Lugar graça

João Pessoa, domingo, 12:02:52



a alegria ri por dentro da alma ocupada
as aparências inúteis antes e depois da terra
a graça do tempo são os seus enganos
nada pode ser mais engraçado que a vida



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domingo, 7 de setembro de 2008

Lugar levitado

João Pessoa, 07 de setembro de 2008


Tem
E propaga a altura tonga da vida,
Tenha a sede do teu querubim.
Rodopiando espiral e subinte
Ao espaço incógnito e concreto
[do fim]

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Lugar fotografia

João Pessoa, domingo, 4 de fevereiro de 2007


executam-se um temporário aberto
uma iluminada atriz entra em cena
seus movimentos se desdobram
muitos olhares observam a vida
aquela atuação soberba
a magia diante da platéia
e diante dos olhos boquiabertos
muito antes dos aplausos......

escutam-se um emocionado “clic”
um certeiro corte na cena
e aquela alma já se encontra eterna
foi guardada viva e ainda quente
no palco estático, fechada no silêncio.


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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Lugar íris

João Pessoa - quarta-feira, 26 de dezembro de 2007


Iridáceas são pupilas abertas de cores vivas
flores efêmeras da vida observada por ela
um espectro solar que não te planejou
a luz te quis janela assim subjetiva
para morada dos delírios visuais
por isso te fez pedra preciosa
quartzo irisado, magneto
membranas circulares
cortinas e mistérios
beleza absurda
nos corpos
olhares
nus


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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Lugar antes

04 de março de 1997 - 9:35:37


embriagados de poeira
fomos estradas tortas
tontos nas rotas das toadas
rimos até cair

deitamos nas calçadas
éramos chuva em filigranas
derramando alegrias
dormimos até tardar

respirávamos um feliz dia qualquer
éramos sonhos espargindo-se
descolorando em horizontes
antecedendo até na dor


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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Lugar amor

(para os amores distantes)


imagino que pensas em que acredito
que percebes o quanto estamos juntos
porque só o amor subtrai tudo o que dista
quando há poesia na verdade da ausência
que é também a graça poética do teu íntimo
prova de que o amor se faz presente



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domingo, 24 de agosto de 2008

Lugar palavra




não há desgaste na verdade da fala
quando a palavra amor continua despida
exibindo em vida a sua inocência e beleza
não se pode articular os sentidos desse verbo
sem mostrar que a alma é o exercício da doação
para aquelas pessoas que só conheciam a troca
não é possível falar de amor com intenção
quando essa palavra define a completude
onde não há mais nada o que se possa Ser

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sábado, 23 de agosto de 2008

Espelhos D´água

João Pessoa – 10 de agosto de 2006


desejo que seja nosso
esse desejo de enfrentar-nos
numa auto-revolução
seja desejo comum
encarar as perigosas conquistas
do nosso "mar-adentro"
inflar nosso Ser de coragem
descer às profundezas
dos nossos sentimentos oceânicos
despir-nos dos nossos medos
escafandrística-mente

seja comum
querer ser o próprio mar
além de querer-se humilde
em desejos mergulhadores
vitais navegadores dos espelhos
da própria alma


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Chuva Incessante

João Pessoa – 15 de outubro de 2007

gotas sucessivas se desdobram em mim
as primeiras me ensinam a viver
as seguintes nos renovam
todas abertas em sorrisos
permitindo nos provocar
quantas forem as reinvenções
são listras escorridas de felicidade
sobre a face pintada de vidas espalhadas
e a nossa pele ainda molhada sob suas linhas


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Arghmassa!

João Pessoa, 27 de fevereiro de 1999


há uma casa em construção viva alí
pessoas que entram e saem espalhando poeira
futuros moradores se amando no silêncio das paredes
areia, lama e sussurros transpiram no corpo do chão
aquelas feridas abertas nos poros dos tijolos empilhados
são partes do aroma da cal, da massa do chapiscado
é a carne do cimento e a ansiedade do ato de ensaibrar
para construir um carinho que não é apenas para quem quer


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Declaração da Alma da Pele

João Pessoa, 01 de agosto de 2008 04:17


a pele da tua alma me falou do amor
das cores do teu carinho que me coloriu
dos sonhos do teu desejo de se transbordar
imagens do cheiro de luz que me seduziu

a alma da tua pele bem me declarou
tão suave a intenção do sereno já floresceu
e todo amor, de alma sempre aberta
é uma estrada, mais que certa, a tua dor


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a busca do ser no poeta

a busca do poeta é estranha e indócil
não quer apenas mostrar o conteúdo das orações
não espera dar sentido mágico às palavras
não quer facilitar o trânsito do refino nos verbos

a busca do poeta é entranha do inérveo
quer descobrir as verdades impostas sob as fibras do papel
quer diluir as mágoas escondidas entre as serifas das letras
quer amarar alegrias e sonhos no solo árido do alfabeto


Sandoval Fagunde - João Pessoa, sábado, 9 de agosto de 2008

calendário

na mão do tempo há um revólver
um tiro certeiro para cada dia
matando em fatias o tempo
com suas cápsulas imortais
sem a menor precisão


Sandoval Fagundes - João Pessoa, terça-feira, 19 de agosto de 2008
18:16:41

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

irremediável passista

se o céu do carnaval incendiar minha alma
terei a verdade do amor instalada em mim
o teu tambor estremecendo minha calma
no coração de um frevo sem piedade
desaguando nos gozos desta dança
desperdiçando carinhos por toda cidade
no bloco dos enfermos fantasiando paixões


Sandoval Fagundes - quinta-feira, 31 de julho de 2008 22:30:55

frutos da tamareira

Datileira na minha mente o sabor
do oásis da paixão qual sois palmeira
teu deserto de azulejaria já sem cor
prende ao mastaréu tuas fileiras de sóis
e aguardam minhas naus cheias de amor


Sandoval Fagundes - João Pessoa - segunda-feira, 9 de junho de 2008
18:16:08

o amor de dentro para fora

lavo o amor com a tua febre
a magmática dor expandida
são labaredas expulsas de mim

lava do amor escondido
a incandescente flor da verve
são lávicos desejos de sim


Sandoval Fagundes - João Pessoa. domingo, 8 de junho de 2008
3:29:59

amorpraqueter

o amor não é escudo
e não é arma

é ladeira
quando a chama me afaga

é revolta
inundação nos olhos d´água
uma visão

é desembolso da dor
não tem preço nem cor

o amor não é um muro
e não é porta
é entrada, ou saída
quem se importa

é estrada
é prisão, um corte n´alma
ou proteção

é nascedouro da flor
é sem tamanho essa dor



Sandoval Fagundes - João Pessoa - quinta-feira, 29 de Maio de 2008

o cara

terça-feira, 5 de agosto de 2008 12:47


Eu sou o cara vazio
que não viveu o necessário
para saber como a vida quer
se bem que nada se sabe
daquilo que a vida é

Eu sou a cara-metade
dos muitos “Seres” presentes
nas mil caras que o mundo tem
mundos ainda incompletos
quando o tudo não é ninguém

Eu sou o cara das dúvidas
espanto na cara de bobo
das incertezas animais
quando descubro no espelho
que somos todos iguais

Eu sou esse quem questiona
Abandonado a tal sorte
que apenas minha não é
se não consigo saber quem sou
não saberei quem você é


...

sobre a verdade

quando a validade for mais forte que a verdade
e o vencimento desta for ainda mais verdadeiro
sua idade válida será sempre remarcada
por uma nova fragilidade a cada janeiro
no rótulo desta cédula dormirá a esfinge da vaidade
cada vez mais forte e sem data ou hora acertada


Sandoval Fagundes - João Pessoa - sexta-feira, 29 de Agosto de 2008
04:45:15

berço da poesia

no silêncio nasce a vida
fazem-se os sacrifícios
desfazem-se os nós
descobrem-se os prós
enumeram-se os contras
acordam-se as memórias
constroem-se as catedrais
dasabrigam-se os amores
movimenta-se a vida

no silêncio do mesmo solo árido
de onde nasce a poesia


Sandoval Fagundes - quinta-feira, 22 de maio de 2008
04:48:46

diário

no peito do silêncio há uma dor contínua
metralhadora desgovernada e sem alvo
milimetrando cada hora de espera
das mortes que eu respiro
no parto de cada inspiração


Sandoval Fagundes - João Pessoa - quarta-feira, 20 de agosto de 2008
13:01:04

ode ao tempo dedicado

desvelado o amor que se quer eterno
quando cautela o tempo sobre o desejo
nas diligências de carinhos sem medida
sobre a prontidão que se tem agora


Sandoval Fagundes, sexta-feira, 22 de agosto de 2008
14:09:27